— Preciso que vocês encontrem o colar. Meu tempo está esgotando.
— Que tempo?
Margaret se virou para mim e suspirou.
— Hoje é dia dos mortos. E nossa linhagem não pode ficar muito tempo afastada do colar. Temos um prazo. Eles estão me cobrando.
— Por que você?
Uma ventania surgiu.
— Quando o colar foi destruído junto comigo, eu fiquei ligada a ele totalmente. Toda a minha linhagem perdeu seus poderes e é preciso que eles retornem para mim, assim poderei me desfazer dele e descansar em paz.
— Para onde foi que seu pai levou o colar antes de colocar fogo nele?
Isso seriamente estava me dando arrepios.
— No quintal. Por favor, encontrem e levem para meu tumulo antes da meia-noite, ou caso contrário... — Ela era um fantasma mais eu vi lágrimas escorrerem de seus olhos — minha linhagem será exterminada para sempre. Todos irão virá pó.
A sua imagem foi se dissipando aos poucos, e antes que tudo voltasse a normal percebi em seu olhar que ela estava contando comigo para que tudo desse certo. Corri atrás de Junior que estava já no quintal à procura do colar.
— Precisamos achar marcas de fogo.
As horas passaram como se fossem nossa inimiga e o tempo se revoltou contra nós dois. Uma tempestade estava caindo lá fora e já era quase dez da noite.
— Temos menos que duas horas.
— E se não conseguimos?
Silêncio.
— Árvores. — eu disse.
— O quê?
Junior estava sem entender.
— Se a casa pegou fogo e começou do quintal, certamente foi próximo a uma árvore. — eu disse tentando criar uma teoria lógica.
Voltamos para o quintal debaixo de chuva e cavamos buracos e mais buracos ao redor da única árvore. Como fomos burro. Só podia está lá esse tempo todo. Um pouco de esperança surgiu dentro de mim. Eu nunca tinha me envolvido totalmente em algo. E não sabia o motivo de está envolvido nisso. Era tão estranho eu ter me envolvido em tudo isso sem uma explicação lógica e racional. Eu estava agindo de forma absurda. A pá bateu em algo duro. Chamei Junior que se aproximou rapidamente. Estávamos ensopados. As roupas tão grudadas em nossos corpos. Cavamos mais um pouco e lá estava. Brilhando. O colar da família Vandeburg.
Corremos para rua, a tempestade estava cada vez pior. Junior pegou a chave de sua Kawa EP-6n 20 e partimos em direção o cemitério debaixo de uma terrível tempestade.
As pistas estavam escorregadias e Junior estava a 70 Km/h. Entramos em uma rua esburacada, quase caímos em um dos buracos. Tudo estava contra nós, mas não tínhamos tempo, faltava apenas meia hora. A linhagem de Margaret dependia de nós. Junior pisou no freio, e giramos na escuridão. Por um momento eu senti que estávamos voando, mas não, ainda estávamos na moto. Os faróis: algo apareceu no meio da rua. Junior desviou e aumentou a velocidade. Olhei para trás. Não havia ninguém. 10 minutos. Eu já podia enxergar o cemitério de longe. Ele ficava no alto da colina. Só tínhamos que subi uma rua e chegaríamos.
— Pronto para maior aventura de sua vida?
—Espero ser a maior e única. — Eu não falava, gritava por causa do vento.
Junior aumentou ainda mais a velocidade e subimos a rua. 90km/h. Meu coração estava a mil. Eu gosto de viver a vida perigosamente. Na verdade, todos nós gostamos, mas poucos têm coragem. Por um momento senti vontade de abri os braços. Se eu fizesse isso, poderia despencar da moto. Então a única opção foi gritar.
7 minutos.
Chegamos ao cemitério e encontramos mais um obstáculo. O portão estava fechado.
— Vamos ter que pular. — disse.
— Ora, cara, vamos nessa.
Subimos o portão e pulamos. Corremos em direção ao Túmulo de Margaret. Nossa sorte é que os túmulos são organizados em ordem alfabética, e dessa forma seria muito mais fácil para localizar.
4 minutos.
Lá estava o túmulo dela. Empurramos a pedra de mármore. Na verdade, tentamos, poisa pedra não saiu do lugar. Voltamos a empurrar a pedra com muito mais força. Depois do que pareceu uma eternidade, a pedra se moveu lentamente. Só mais um pouco de força, só mais um pouco...
Empurramos, empurramos e empurramos.
2 minutos.
A pedra se moveu por completo. Abrimos o túmulo de Margaret, um cheiro insuportável saiu de dentro. Senti meu estomago revirar, e a comida subir pronta para sair. Coloquei o rosto enquanto apertava o nariz com os dedos para não senti o fedor. Lá estava ela, da mesma forma que há vi da primeira vez. Com metade do rosto queimado. Então percebi que parte do colar também estava amassado. Sua ligação com ele era tão forte que tudo que o colar sentiu, ela também sentiu.
— Wesley. — olhei. Pela primeira vez Junior me chamou pelo meu próprio nome.
— Coloque o colar.
50 segundos.
Me estiquei mais um pouco e quase cai dentro do túmulo. Coloquei o colar no pescoço de Margaret e empurramos a pedra para seu lugar. A chuva tinha piorado e estava relampejando.
5 segundos.
4 segundos.
3 segundos.
2 segundos.
1 segundo.
Meia-Noite.

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